Fonte: Elaborado pela Thunders a partir da seção Dados Abertos do site da CCEE atualizado em agosto, com dados de junho de 2026
O Brasil conta, atualmente, com 17.077 agentes consumidores livres, especiais ou autoprodutores de energia devidamente registrados na CCEE. Esses agentes possuem 46.633 unidades consumidoras espalhadas por todo país, as quais totalizaram um consumo de 28.218 MW no último mês e 28.035 MWm nos últimos 12 meses.
RANKING POR CONSUMO
Considerando o volume de energia consumido no mês de junho de 2026, os 10 maiores consumidores do Ambiente de Contratação Livre (ACL) demandaram, juntos, 4.894,5 MW médios. Esse volume representa 17,44% de toda a energia consumida no mercado livre, cuja carga total alcançou 28.064,1 MW médios no período.
Além disso, os cinco primeiros colocados concentraram 3.083,9 MW médios, o equivalente a aproximadamente 10,99% da carga total do mercado livre de energia.
Por outro lado, apesar da elevada participação no consumo, essas dez empresas representam apenas 1,82% do total de unidades consumidoras (UCs) do ACL: são 850 UCs entre as 46.633 existentes no mercado. Esse contraste reforça uma das características do mercado livre de energia no Brasil: grandes consumidores industriais conseguem concentrar volumes expressivos de demanda mesmo com uma parcela reduzida das unidades consumidoras.
Principais destaques do ranking de consumidores do ACL
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ALBRAS amplia a liderança no consumo do ACL
A ALBRAS permanece na liderança do ranking, agora com 837,7 MW médios de consumo e apenas 1 unidade consumidora (UC).
Dessa forma, a companhia continua apresentando um dos perfis de maior densidade energética individual entre os principais consumidores do mercado livre, característica associada às operações industriais eletrointensivas.
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CVRD (Vale) mantém a vice-liderança e amplia o consumo
Na segunda colocação, a CVRD (Vale) alcançou 674,4 MW médios, distribuídos entre 25 UCs.
Além de permanecer na vice-liderança, a empresa aumentou seu consumo em relação a maio, quando registrava 667,9 MW médios. Assim, os números reforçam tanto a escala de sua demanda energética quanto o caráter distribuído de suas operações.
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CBA permanece em terceiro lugar
Na sequência, a CBA ocupa a 3ª posição, com 621,6 MW médios distribuídos em apenas 4 unidades consumidoras.
Embora tenha apresentado leve redução frente ao mês anterior, a empresa segue entre os maiores consumidores de energia do ACL. Além disso, a combinação entre poucas UCs e elevado volume evidencia uma forte concentração de carga por unidade consumidora.
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ALCOA sobe para a 4ª posição
Uma das principais movimentações do ranking de consumidores de junho de 2026 ocorreu na quarta colocação. A ALCOA alcançou 479,7 MW médios, distribuídos em somente 3 UCs.
Com isso, a companhia avançou no ranking e reforçou a presença das operações industriais de alta intensidade energética entre os maiores consumidores do mercado livre.
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Arcelor JF COM permanece entre os cinco maiores
Logo depois, a Arcelor JF COM aparece na 5ª posição, com 470,5 MW médios e 16 unidades consumidoras.
Apesar de deixar a quarta colocação, a empresa continua no Top 5 e mantém um volume relevante de consumo, demonstrando a importância da indústria de base na composição da demanda do ACL.
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Braskem, Klabin Puma e Petrobras PIE completam o bloco intermediário
Na 6ª posição, a Braskem registra 412,9 MW médios, distribuídos em 17 UCs. Em seguida, a Klabin Puma ocupa o 7º lugar, com 393,6 MW médios e 22 UCs.
Já a Petrobras PIE aparece na 8ª colocação, com 383,0 MW médios distribuídos entre 55 unidades consumidoras. Portanto, esse grupo evidencia diferentes níveis de capilaridade operacional mesmo entre empresas com volumes elevados de consumo de energia.
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SABESP amplia fortemente sua capilaridade
A SABESP permanece na 9ª posição em volume, agora com 314,7 MW médios. Entretanto, o principal destaque está na quantidade de unidades consumidoras: a empresa alcançou 705 UCs, contra 522 no levantamento anterior.
Consequentemente, a SABESP passa a responder, sozinha, por mais de 82% das UCs presentes no Top 10 por consumo. Esse movimento reforça seu perfil de consumo descentralizado e altamente pulverizado, associado à ampla estrutura operacional do setor de saneamento.
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SOUTH32 fecha o Top 10
Por fim, a SOUTH32 permanece entre os dez maiores consumidores do ACL, com 306,4 MW médios distribuídos em apenas 2 unidades consumidoras.
Nesse sentido, seu perfil contrasta diretamente com o da SABESP: enquanto uma empresa distribui sua demanda por centenas de pontos, a outra concentra um volume elevado de energia em pouquíssimas unidades.
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Tabela 1: Ranking de consumidores por consumo
| Rank Volume | Sigla | Volume (MW) | UCs |
|---|---|---|---|
| 1 | ALBRAS | 837,7 | 1 |
| 2 | CVRD | 674,4 | 25 |
| 3 | CBA | 621,6 | 4 |
| 4 | ALCOA | 479,7 | 3 |
| 5 | ARCELOR JF COM | 470,5 | 16 |
| 6 | BRASKEM | 412,9 | 17 |
| 7 | KLABIN PUMA | 393,6 | 22 |
| 8 | PETROBRAS PIE | 383,0 | 55 |
| 9 | SABESP | 314,7 | 705 |
| 10 | SOUTH32 | 306,4 | 2 |
Análise do mês: estabilidade na liderança e mudanças no Top 5
Ao analisar o ranking de consumidores no ACL em junho de 2026, observa-se uma combinação entre estabilidade nas primeiras posições e movimentações relevantes no bloco intermediário. ALBRAS, CVRD e CBA continuam ocupando as três primeiras colocações. No entanto, a ALCOA avançou para o 4º lugar, enquanto a Arcelor JF COM passou para a 5ª posição.
No total, os 10 maiores consumidores do mercado livre de energia somaram 4.894,5 MW médios, correspondentes a 17,44% da carga total do ACL. Além disso, os cinco primeiros concentraram 3.083,9 MW médios, ou 10,99% do consumo total.
Ao mesmo tempo, outro movimento chama atenção: a quantidade de UCs das empresas do Top 10 cresceu significativamente. O principal fator foi a SABESP, que passou de 522 para 705 unidades consumidoras, enquanto seu consumo chegou a 314,7 MW médios.
O que os dados indicam sobre o mercado livre de energia?
A leitura do ranking de junho aponta três movimentos relevantes para o mercado livre de energia no Brasil:
- Concentração elevada entre os grandes consumidores: embora representem apenas 1,82% das UCs do ACL, as dez primeiras empresas respondem por 17,44% de toda a energia consumida no mercado livre. Portanto, grandes cargas industriais continuam exercendo forte influência sobre a demanda.
- Competitividade no bloco intermediário: além da estabilidade do Top 3, as mudanças entre ALCOA e Arcelor mostram que as posições seguintes permanecem mais dinâmicas. Da mesma forma, Braskem, Klabin Puma e Petrobras PIE apresentam volumes relativamente próximos, aumentando a competitividade nessa faixa do ranking.
- Diversidade crescente dos perfis de consumo: enquanto empresas como ALBRAS, CBA, ALCOA e SOUTH32 concentram grandes volumes em poucas unidades, companhias como SABESP, Petrobras PIE e CVRD apresentam operações mais distribuídas. Assim, o ranking evidencia a coexistência entre alta densidade energética e pulverização operacional no ACL.
Por fim, os dados de junho reforçam que o Ambiente de Contratação Livre (ACL) combina grandes consumidores industriais, elevada concentração de carga e modelos cada vez mais diversos de distribuição do consumo. Esse cenário contribui para um mercado livre de energia mais maduro, competitivo e heterogêneo, no qual diferentes estratégias operacionais coexistem entre os principais consumidores.
RANKING POR QUANTIDADE DE UCs
A análise por número de unidades consumidoras (UCs) no Ambiente de Contratação Livre (ACL) continua revelando uma dinâmica diferente daquela observada no ranking por volume de energia. Enquanto o consumo permanece concentrado entre grandes indústrias, o ranking por quantidade de UCs evidencia a expansão horizontal do mercado livre, impulsionada por empresas com operações distribuídas e elevada capilaridade.
De acordo com os dados mais recentes de junho de 2026, o ACL alcançou 46.633 unidades consumidoras. Além disso, o ranking mostra mudanças relevantes entre as empresas com maior número de pontos de consumo, principalmente com o avanço da SABESP para a terceira colocação.
Esse comportamento reforça uma tendência estrutural do mercado livre de energia no Brasil: ao mesmo tempo em que grandes consumidores concentram volumes expressivos de energia, empresas dos setores de saneamento, varejo, serviços, telecomunicações e instituições financeiras ampliam sua presença por meio de centenas de unidades consumidoras.
Dessa forma, o crescimento da quantidade de UCs contribui para a pulverização do ACL, amplia a capilaridade do mercado e demonstra a diversidade dos modelos de consumo presentes no Ambiente de Contratação Livre.
Confira quem são esses principais agentes por quantidade de UCs:
Tabela 2: Ranking de consumidores por quantidade de UCs
| Rank UCs | Sigla | UCS | Volume (MM) |
|---|---|---|---|
| 1 | SENEPAR | 867 | 86,07 |
| 2 | EMBASA | 754 | 97,74 |
| 3 | SABESP | 705 | 300,06 |
| 4 | B2W CE | 610 | 19,41 |
| 5 | BRADESCO | 535 | 19,51 |
| 6 | CORSAN | 516 | 47,39 |
| 7 | ITAU CL5 | 468 | 22,05 |
| 8 | VTAL | 466 | 29,95 |
| 9 | VIAVAREJO | 449 | 10,31 |
| 10 | CBD | 413 | 53,46 |
| 11 | SUPER BH 001 | 347 | 30,27 |
| 12 | ASSAI ATACADISTA | 322 | 126,23 |
| 13 | RENNER MATRIZ | 304 | 19,42 |
| 14 | SANTANDER | 285 | 13,41 |
| 15 | TELEFONICA | 267 | 65,34 |
| 16 | BURGER KINK | 251 | 7,79 |
| 17 | RIACHUELO | 234 | 15,81 |
| 18 | C&A MODAS | 228 | 16,09 |
| 19 | WMS SUPER | 227 | 64,26 |
| 20 | CAGECE | 227 | 17,38 |
Destaques estratégicos do novo ranking: SANEPAR – SANEPAR mantém a liderança em capilaridade
A SANEPAR permanece na liderança do ranking por quantidade de unidades consumidoras, agora com 867 UCs e 86,07 MW médios de consumo.
Além disso, a companhia mantém um perfil bastante pulverizado, com consumo médio de aproximadamente 0,099 MW por UC. Esse comportamento evidencia uma operação descentralizada, característica de empresas de infraestrutura e saneamento com presença em diversos pontos de consumo.
EMBASA consolida a vice-liderança
Na segunda posição, a EMBASA alcança 754 unidades consumidoras e 97,74 MW médios.
Assim, a empresa mantém elevada capilaridade operacional e reforça a presença do setor de saneamento no mercado livre de energia. Seu consumo médio fica próximo de 0,130 MW por unidade, indicando uma combinação entre ampla distribuição geográfica e demanda energética relevante.
SABESP avança para a 3ª posição
A principal movimentação do novo ranking ocorre com a SABESP, que chega a 705 unidades consumidoras e sobe para a 3ª colocação.
Ao mesmo tempo, seu consumo alcança expressivos 300,06 MW médios, o maior volume entre as empresas mostradas no ranking por UCs. Isso corresponde a aproximadamente 0,426 MW por unidade consumidora.
Portanto, a SABESP apresenta um perfil particularmente relevante: combina alta capilaridade com elevada intensidade de consumo, demonstrando como uma operação descentralizada pode, simultaneamente, representar uma demanda energética significativa no ACL.
B2W CE permanece entre as operações mais pulverizadas
A B2W CE aparece agora na 4ª colocação, com 610 unidades consumidoras e 19,41 MW médios.
Apesar da queda de posição, a empresa continua apresentando uma das menores médias de consumo entre as líderes, com aproximadamente 0,032 MW por UC. Consequentemente, os números reforçam um modelo característico de varejo e e-commerce, baseado em muitos pontos de consumo e baixa demanda energética individual.
Bradesco fecha o Top 5
Na 5ª posição, o Bradesco registra 535 unidades consumidoras e 19,51 MW médios.
Nesse caso, a combinação entre elevada quantidade de UCs e consumo relativamente baixo também evidencia uma operação altamente distribuída. Além disso, a presença da companhia no Top 5 reforça a participação de instituições financeiras no mercado livre de energia, especialmente por meio de redes corporativas com grande capilaridade.
O que os dados indicam sobre o mercado livre de energia?
Os dados de junho de 2026 reforçam uma tendência de expansão e diversificação do Ambiente de Contratação Livre. Mais do que observar apenas o crescimento do número de consumidores, o ranking por UCs permite identificar como diferentes modelos de operação estão se estruturando no mercado.
Primeiramente, a capilaridade ganha relevância. SANEPAR, EMBASA, SABESP, B2W CE e Bradesco possuem, juntas, 3.471 unidades consumidoras. Entretanto, seus perfis de consumo são bastante diferentes. Isso mostra que quantidade de UCs e intensidade energética não necessariamente avançam na mesma proporção.
Além disso, o saneamento ganha protagonismo no ranking. SANEPAR, EMBASA e SABESP ocupam três das quatro primeiras posições. Dessa maneira, o setor se destaca pela combinação entre infraestrutura distribuída, elevado número de pontos de consumo e presença crescente no ACL.
Por outro lado, varejo e serviços apresentam um modelo mais pulverizado. Empresas como B2W CE, ViaVarejo, Itaú e Bradesco operam centenas de unidades, porém com consumo médio individual relativamente reduzido. Esse perfil evidencia como o mercado livre de energia está alcançando operações cada vez mais descentralizadas.
Por fim, a SABESP exemplifica um modelo híbrido. A companhia reúne centenas de UCs e, simultaneamente, registra 300,06 MW médios de consumo. Portanto, sua presença demonstra que elevada capilaridade e intensidade energética podem coexistir dentro de uma mesma operação.
Em síntese, o ranking por quantidade de unidades consumidoras do ACL em junho de 2026 mostra um mercado cada vez mais diversificado. Enquanto grandes consumidores industriais lideram o ranking por volume, empresas com centenas de pontos de consumo ampliam a pulverização, a capilaridade e a descentralização do mercado livre de energia brasileiro.resas de diferentes setores e consolidando um ambiente cada vez mais maduro, competitivo e diversificado.
ANÁLISE POR FAIXAS DE VOLUME
A segmentação por faixas de volume no Ambiente de Contratação Livre (ACL) permite compreender como o consumo de energia está distribuído entre diferentes perfis de consumidores. Além disso, essa análise ajuda a identificar os movimentos de concentração, diversificação e expansão do mercado livre de energia.
Com base nos dados mais recentes de junho de 2026 (MM12), observa-se que a concentração nas faixas de maior volume continua relevante no ACL. Ao mesmo tempo, a grande quantidade de agentes nas faixas de menor consumo evidencia uma base cada vez mais ampla e diversificada.
No total, a análise contempla 13.943 agentes, 28.218 MW médios e 46.624 unidades consumidoras.
Confira abaixo a análise por faixa de carga:
Tabela 3: Segmentação por faixas de volume de energia consumido
| Faixa | De | Até | Agentes | Volume (MWm) | % Agentes | % Volume | %UCs |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 100 | 1.000 | 38 | 9.476 | 0,27% | 33,58% | 3,373% |
| 2 | 50 | 100 | 34 | 2.347 | 0,24% | 8,32% | 7,03% |
| 3 | 30 | 50 | 47 | 1.827 | 0,34% | 6,47% | 3,92% |
| 4 | 10 | 30 | 234 | 3.894 | 1,68% | 13,80% | 15,48% |
| 5 | 5 | 10 | 331 | 2.340 | 2,37% | 8,29% | 8,28% |
| 6 | 3 | 5 | 402 | 1.551 | 2,88% | 5,50% | 6,10+8% |
| 7 | 1 | 3 | 1.930 | 3.239 | 13,84% | 11,48% | 15,26% |
| 8 | 0,5 | 1 | 2.334 | 1.646 | 16,74% | 5,83% | 12,41% |
| 9 | 0,3 | 0,5 | 2.334 | 903 | 16,74% | 3,20% | 9,17% |
| 10 | 0,1 | 0,3 | 4.706 | 900 | 33,75% | 3,19% | 14,66% |
| 11 | 0 | 0,1 | 1.553 | 96 | 11,14% | 0,34% | 3,90% |
| 12 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0,00% | 0,00% | 0,00% |
Principais destaques
Faixa 1: alta concentração de energia em poucos agentes
Antes de tudo, chama atenção o fato de que apenas 38 agentes, equivalentes a 0,27% do total, apresentam consumo superior a 100 MW médios.
Apesar de representarem uma parcela extremamente reduzida dos participantes do ACL, esses consumidores concentram 9.476 MW médios, correspondentes a expressivos 33,58% de toda a energia consumida no período analisado.
Além disso, esse grupo reúne 1.737 unidades consumidoras, ou 3,73% das UCs. Portanto, a diferença entre participação no consumo e quantidade de unidades reforça a altíssima densidade energética dos maiores consumidores do mercado livre.
Consequentemente, os números destacam a relevância de grandes consumidores industriais, especialmente em segmentos eletrointensivos como mineração, siderurgia, metalurgia, papel e celulose.
Em síntese, menos de 0,3% dos agentes concentram aproximadamente um terço do consumo de energia analisado, evidenciando a elevada concentração existente na faixa superior do ACL.
Faixas 2 a 4: perfil industrial e presença territorial relevante
Na sequência, as faixas entre 10 e 100 MW médios — faixas 2, 3 e 4 — concentram:
- 315 agentes, equivalentes a 2,26% do total;
- 8.068 MW médios, ou 28,59% do volume de energia;
- 12.320 unidades consumidoras, correspondentes a 26,43% das UCs.
Portanto, quando analisadas em conjunto, essas três faixas apresentam uma participação relevante tanto no consumo quanto na quantidade de unidades consumidoras.
Especificamente, a Faixa 4, de 10 a 30 MW médios, reúne 234 agentes, responsáveis por 3.894 MW médios, ou 13,80% do volume total. Além disso, esses consumidores estão distribuídos entre 7.216 UCs, equivalentes a 15,48% das unidades consumidoras.
Dessa forma, essa faixa continua representando um importante ponto de equilíbrio entre volume expressivo de energia e elevada capilaridade operacional.
Faixas 5 e 6: consumidores de médio volume ganham relevância
Já as faixas entre 3 e 10 MW médios reúnem 733 agentes, que representam aproximadamente 5,26% do total.
Juntas, essas empresas respondem por 3.891 MW médios, equivalentes a 13,79% do volume analisado, e possuem 6.741 unidades consumidoras, ou 14,46% das UCs.
Assim, esse segmento reforça a diversidade do ACL, pois reúne consumidores com demanda relevante, mas com uma distribuição operacional mais ampla do que aquela observada entre os maiores consumidores.
Faixas 7 a 10: pulverização domina a base do ACL
Por outro lado, é nas faixas entre 0,1 e 3 MW médios que se encontra a maior concentração de agentes do mercado.
Somadas, as faixas 7 a 10 reúnem 11.297 agentes, equivalentes a aproximadamente 81,02% de todos os agentes analisados.
Entretanto, apesar de representarem mais de quatro quintos da base, esses consumidores respondem por apenas 6.672 MW médios, ou 23,64% do volume total de energia.
Em contrapartida, essas mesmas faixas concentram 23.900 unidades consumidoras, correspondentes a 51,26% das UCs. Portanto, os dados deixam clara a pulverização do mercado livre de energia entre consumidores de menor volume.
Faixa de 0,1 a 0,3 MW concentra o maior número de agentes
Dentro desse grupo, a Faixa 10, entre 0,1 e 0,3 MW médios, merece destaque.
Sozinha, ela reúne 4.706 agentes, equivalentes a 33,75% de toda a base analisada. Além disso, são 6.835 unidades consumidoras, ou 14,66% das UCs do ACL.
Por outro lado, seu volume corresponde a apenas 900 MW médios, ou 3,19% da energia analisada.
Esse contraste demonstra como o avanço de consumidores de menor porte contribui para aumentar a quantidade de participantes e a capilaridade do Ambiente de Contratação Livre, sem alterar de maneira proporcional a concentração do volume de energia.
Mas o que os dados revelam?
A análise por faixas de consumo de energia evidencia uma dinâmica complementar no mercado livre brasileiro.
De um lado, permanece uma forte concentração de consumo nas faixas superiores. Somente os 38 agentes acima de 100 MW médios respondem por 33,58% do volume analisado. Dessa maneira, grandes consumidores continuam exercendo papel determinante na composição da carga do ACL.
Por outro lado, a base do mercado apresenta elevada pulverização. As faixas entre 0,1 e 3 MW concentram mais de 81% dos agentes, mas respondem por menos de um quarto do consumo. Esse movimento reforça a presença de empresas com cargas menores e perfis mais diversificados.
Além disso, as faixas intermediárias funcionam como uma ponte entre esses dois extremos. Os consumidores entre 10 e 100 MW, por exemplo, representam apenas 2,26% dos agentes, mas concentram 28,59% da energia e 26,43% das unidades consumidoras.
Portanto, os dados de junho de 2026 reforçam uma característica estrutural do mercado livre de energia no Brasil: concentração de volume entre grandes consumidores e, simultaneamente, pulverização da base entre agentes de menor consumo. Essa combinação evidencia um ACL cada vez mais diversificado, competitivo e abrangente, capaz de reunir desde grandes indústrias eletrointensivas até empresas com cargas menores e operações distribuídas.es, sem perder a relevância dos grandes agentes industriais que sustentam boa parte da demanda nacional.


